sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Certo ou Errado.

Quando era criança, ouvi repetidas vezes meus pais me dizerem o que era certo e o que era errado, fui aprendendo com eles valores que carrego comigo como verdades inabaláveis.
Sou tão grata a eles por terem me mostrado a verdade sobre tantas coisas, sobre o mundo e sobre a vida.
Hoje consigo ver com clareza, quanta sabedoria trazia as palavras simples da minha mãe, quando me dizia que precisamos nos importar com o outro.
Na vida de adulto todos os dias encaramos desafios e somos colocados a prova o tempo todo. Mas o que nos faz escolher o certo quando uma situação inédita se apresenta, quando algo nunca ensinado nos acontece?
Quando lá no fundo do nosso coração nos perguntamos o que é certo a fazer?
Nesses momentos me lembro de pessoas queridas que são referências na minha vida, da mestra que dizia que o primeiro passo do sucesso é o bom senso, do amigo que dizia com coragem que o combinado não sai caro, do avô querido e tão velhinho que contava histórias para me mostrar que o bem sempre vence no final, da amiga querida que me dizia que o amor tudo vence.
São reflexões que trazem para mais perto de mim as pessoas que passaram pela minha vida e deixaram sua marca, seus ensinamentos.
Com todas elas aprendemos algo, basta observar, basta estar atento, basta estar de coração aberto.
Caminhamos pela vida conhecendo pessoas, enfrentando desafios, aprendendo a amar ou odiar e isso também é escolha nossa.
Como encontrar a resposta certa?
Ao longo do caminho, as pessoas que conheci me deixaram lições preciosas, sem saber foram me ensinando a ser quem sou, acredito que isso e as minhas escolhas me tornaram quem sou, me deram algo valioso e extremamente particular, o caráter.
Penso que todos nós somos formados assim, os ensinamentos dos que amamos e as escolhas que fazemos.
Por essa razão quando ouço alguém dizer " entre o certo e o errado, escolho ser feliz", eu logo penso, não, não está certo, porque mesmo que vivamos em uma época diferente da que viviam nossos pais, o que era certo antes e o que era errado antes, continua sendo agora.
As gerações passam, as vivências mudam, mas os valores humanos, aqueles que te dizem quem você é, aqueles que te fazem se importar com o outro, sentir a dor outro, esses não mudam e sem eles não pode haver felicidade duradoura.
Apenas a ilusão de que por um momento nossas escolhas nos satisfizeram e sinceramente não é o bastante.
Não pra quem busca intensamente a paz de espirito, a felicidade plena, a consciência limpa.
E por tudo isso, acredito do fundo do meu coração, que para definir entre o certo e o errado, precisamos apenas nos perguntar: "A quem a minha decisão afetará?".
Porque todas as vezes em que minha decisão roubar a felicidade de alguém, ela estará errada e não importa o quanto isso me faça feliz no momento, a vida me cobrará por ela.
Sou grata a todas as pessoas que me ensinaram a sempre tentar o melhor, fazer o bem e aprender com meus erros.
Assim sempre terei a certeza de saber que mesmo quando errei, tentava acertar,que "entre o certo e o errado", farei sempre o que acho certo e se errar, aprendo e tento de novo, afinal de contas do momento em que nascemos até o último instante somos todos aprendizes, a diferença essencial está no lado em que você escolhe estar.
Do bem ou do mal, autor de sua própria história ou vítima de suas próprias escolhas!!

Alexandra Alves de Oliveira.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O pato selvagem



Era uma vez um bando de patos selvagens que voava nas alturas. Lá de cima se via muito longe, campos verdes, lagos azuis, montanhas misteriosas e os pores-de-sol eram maravilhosos. Mas voar nas alturas era cansativo. Ao final do dia os patos estavam exaustos. Aconteceu que um dos patos, quando voava nas alturas, olhou para baixo e viu um pequenos sítio, casinha com chaminé, vacas, cavalos, galinhas… e um bando de patos deitados debaixo de um árvore. Como pareciam felizes! Não precisavam trabalhar. Havia milho em abundância. O pato selvagem, cansado, teve inveja deles. Disse adeus aos companheiros, baixou seu vôo e juntou-se aos patos domésticos. Ah! Como era boa a vida, sem precisar fazer força. Ele gostou, fez amizades. O tempo passou. Primavera, verão, outono, inverno… Chegou de novo o tempo da migração dos patos selvagens. E eles passavam grasnando, nas alturas… De repente o pato que fora selvagem começou a sentir uma dor no seu coração, uma saudade daquele mundo selvagem e belo, as coisas que ele via e não via mais: os campos, os lagos, as montanhas, os pores-de-sol. Aqui em baixo a vida era fácil mas os horizontes eram tão curtos! Só se via perto. E a dor foi crescendo no seu peito até que não aguentou mais. Resolveu voltar a juntar-se aos patos selvagens. Abriu suas asas, bateu-as com força, como nos velhos tempos. Ele queria voar! Mas caiu e quase quebrou o pescoço. Estava pesado demais para o vôo. Havia engordado com a boa vida… E assim passou o resto de sua vida, gordo e pesado, olhando para os céus, com nostalgia das alturas…”

Rubem Alves

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Lembranças

Sexta-feira, olho pela janela a chuva que se aproxima e o tempo nublado me emociona, na escura lua do medo, vejo seu rosto refletido como uma sombra, a me lembrar de você.
Não quero pensar, lembranças nem sempre são felizes, as vezes são só lembranças.
Mas posso recordar seu riso fácil, sua voz doce e então me perguntar,onde você está, em que tempo se perdeu?
Olho pra dentro de mim e me escureço em lembrar, ah como lembrar dói.
Foram sonhos tão felizes, incontáveis vezes me fez rir, incontáveis vezes te amei como a primeira vez. E todas as vezes te redescobri, como num sonho, tão doce e tão distante.
Você se foi e tudo que restou foi a saudade, de tempos tão felizes, de vozes e de risos, onde você está agora?
Meus olhos já não te alcançam e não ouço mais sua voz, tudo ficou tão vazio e tudo está tão triste agora.
Acho que desaprendi a sorrir, penso que meu sorriso se apagou junto com seu olhar, naquela manhã chuvosa e tão calma.
Tão serenamente você partiu. Você se foi, assim de repente, do mesmo modo como veio. Tranquilo e sem motivos.
Em um dia estava ali, e o mundo fazia sentido, em outro, tudo se foi e eu não sei mais como prosseguir.
Onde será que você está agora?
Procuro na escuridão do nosso quarto e só encontro o vazio, a me dizer tantas e tantas vezes que você se foi.
Mas onde será que você está gora?

Alexandra Alves de Oliveira

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Encontro
Um espelho reflete mais que um rosto, as marcas que trazem,a expressão que mostra, os anseios passados, as ansiedades pelo futuro.
Um espelho é um encontro, onde o que você é se encontra com o que você pensa ser.
È algo como perguntar-se em algum momento da vida, o que te levou até ali. O que você fez ou que decisão tomou para estar em tal ponto do caminho.
È parar para buscar em si mesmo as respostas que o mundo não te dá.
Você pode achar que é um mero reflexo do tempo, mas é na verdade, como você viveu seu tempo, as pessoas que amou, as lágrimas que chorou, as felicidades vividas e proporcionadas, como um mapa do seus dias e das suas lutas.
Espelho, espelho meu, quem viveu mais do que eu? Espelho, espelho meu, quem se perdeu mais do que eu?
O tempo, o tempo vive, o tempo se perde, o tempo passa...
A gente chora, a gente ri, a gente vive ou não vive e ai gente passa, como tudo e como todos, como o vento e como o tempo.
A gente encontra pessoas e se desencontra depois, mas no fim, só o que vale é encontrar a si mesmo, naquele momento, no instante em que você se olha no espelho e Vê além das marcas, vê a essência, percebe quem você realmente é e aceita, sem consternação ou tristeza.
Apenas entende, que o tempo passa e que de vez em quando precisamos encontrar a nós mesmos!!!

Alexandra Alves de Oliveira

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Quando...


Pela tarde caminha silenciosamente, contando os passos, lembranças vão preenchendo o vazio e o silêncio que ficou.
Tudo agora se transformou, nada será como antes, o tempo passará e a saudade será sempre mais intensa.
As cores do mundo vão preenchendo seus olhos e as lágrimas teimam em cair, como se já não tivessem jorrado, como se fosse a primeira vez.
Repete pra si mesmo, a vida continua...incansavelmente... a vida continua.
Mas não encontra um sentido para tudo isso, um balsamo que seja, nenhuma palavra é forte o bastante, porque tudo o que sabe se reduz a nada.
Procura em seu intimo, um motivo, uma razão, mas há tanta dor, tanto medo, que seu coração dilacerado grita e por seus olhos saem pedidos de socorro. Taciturnos, sombrios, como sua alma, como sua dor.
O tempo não curará sua dor. Pobre tempo, superestimado por muitos, subestimados por outros, mas cumprindo sempre seu papel.
O tempo. Aliado? Inimigo?
Ele te mostrará, que toda lágrima seca, que toda dor ameniza, que toda lembrança se transforma, mas não, ele não cura, porque saudade não tem remédio, saudade tem nome, identidade, e as vezes, muitas vezes, saudade é para sempre!

Alexandra Alves de Oliveira

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Amigo.
Palavra indecifrável, por mais primaveras que tenhamos ou mais sabedoria que possamos adquirir, é esta uma palavra por vezes misteriosa, pois requer mais que significados. Requer humanidade e muitas vezes ainda que na forma humana, falta a humanidade que compreende, que é solidária, que divide e que acima de tudo perdoa.
Talvez por isso amigo seja um artigo de luxo, privilegio de poucos, assim como um dom raro.
Talvez por isso os poetas tenham versado sobre amizade, filósofos tenham discutido sobre isso, mas ninguém, absolutamente ninguém conseguiu elucidar o que tem de tão excepcional, de tão incrível no ser que se doa, que fala a verdade ainda que cause dor, porque sabe que a verdade dita na hora certa liberta e dói menos se vinda de um amigo, que defende, ainda que o saiba errado, que ri junto e chora junto.Que é amigo apesar dos pesares e que quando tudo falha ele aparece com uma palavra, com um sorriso e dividi com você o que te parecia tão pesado.
Quem dera diante desse mundo tão incerto poder eu humildemente desvendar, o segredo desse ser mágico, que se descobre por acaso, um dia desses sem querer, passando pela vida, como quem não quer nada.
E aí assim, de repente, ou num rompante, se faz amigo, se faz presente, se faz pra sempre...


Alexandra Alves de Oliveira