Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
Carlos Drumond de Andrade
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Silêncio
Eu queria uma única vez entender o silêncio.
Compreender como a ausência de palavras muitas vezes é mais benéfica do que um texto inteiro.
Talvez se pudesse transformar o silêncio em poesia, eu poderia entender melhor seu significado, mergulhar em seus mistérios. Desbravar suas florestas por vezes indevassáveis.
Mas para mim mera mortal, o silêncio parece quase sempre inteligível, e por vezes utopia sem sentido.
Quase sempre quero gritar ao mundo, bradar meu descontentamento ou minha revolta, como se fosse possível imprimir ao mundo uma única palavra de socorro.
Não há socorro, não há palavra suficientemente forte para explicar o que só o silêncio sabe dizer.
Alexandra Alves de Oliveira
Compreender como a ausência de palavras muitas vezes é mais benéfica do que um texto inteiro.
Talvez se pudesse transformar o silêncio em poesia, eu poderia entender melhor seu significado, mergulhar em seus mistérios. Desbravar suas florestas por vezes indevassáveis.
Mas para mim mera mortal, o silêncio parece quase sempre inteligível, e por vezes utopia sem sentido.
Quase sempre quero gritar ao mundo, bradar meu descontentamento ou minha revolta, como se fosse possível imprimir ao mundo uma única palavra de socorro.
Não há socorro, não há palavra suficientemente forte para explicar o que só o silêncio sabe dizer.
Alexandra Alves de Oliveira
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
IMPROVISO COM O 4º TERMO DE LETRAS
Eu busco hoje como busquei sempre a perfeição.
Divago hoje mais leve e mais sincero.
Porque mora no meu coração uma certeza.
A certeza de que fiz o meu melhor
Eu vim para falar de sublimação.
Pra falar de alma, pra falar de coração.
Mas como falar de vida, se não houver doação.
Eu busco de vocês o melhor, a criatividade,a dúvida.
Eu dou pra vocês o melhor, a alma, o coração, a emoção.
E pra valer a pena precisa ser assim.
Um troca, de vocês pra mim e de mim pra vocês.
Vocês abrem suas mentes e eu te dou a poesia
Juntos professores e alunos. Poesia e canção.
Pra falar de literatura, pra falar de vida, pra falar de emoção.
Alexandra Alves de Oliveira
Divago hoje mais leve e mais sincero.
Porque mora no meu coração uma certeza.
A certeza de que fiz o meu melhor
Eu vim para falar de sublimação.
Pra falar de alma, pra falar de coração.
Mas como falar de vida, se não houver doação.
Eu busco de vocês o melhor, a criatividade,a dúvida.
Eu dou pra vocês o melhor, a alma, o coração, a emoção.
E pra valer a pena precisa ser assim.
Um troca, de vocês pra mim e de mim pra vocês.
Vocês abrem suas mentes e eu te dou a poesia
Juntos professores e alunos. Poesia e canção.
Pra falar de literatura, pra falar de vida, pra falar de emoção.
Alexandra Alves de Oliveira
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Hoje
Depois de tanto tempo e de tanta luta, parece que por algum capricho do destino, meus olhos se abrem e consigo enxergar melhor o que antes parecia apenas uma neblina. Senti tantas vezes nascer em mim a dúvida, como se estivesse naqueles quadrinhos onde surge o ponto de interrogação bem ao lado da cabeça da personagem, um sentimento de temor, inadequação, as vezes até vazio, como se nada me pertencesse, como se toda a minha vida, fosse baseada em enganos. Mas não há enganos, hoje sei, mas que tudo, tenho certeza, de onde estou, de quem sou, escolhi meu caminho, sinto-me finalmente encontrada, sou mãe, sou mulher, sou amiga e sou também professora. Daquelas bem fanáticas, que dá bronca no aluno, que se precisar sobe em cima da mesa, se vira do avesso, mas ensina e ensina como quem ama, porque lecionar exige mais do que talento ou esforço, exige paixão, discernimento, audácia. E aqui estou eu, professora.
Alexandra Alves de Oliveira
Alexandra Alves de Oliveira
Retorno
Parece que hoje depois de tanto tempo, algo novo desperta minha atenção, como se aquele olhar, o olhar de poesia, finalmente voltasse a mim, ainda que sob nuvens, meio sem saber como, eu sinto que algo a tanto perdido volta a fermentar minha alma, como um sopro de vida, de luz, de renascimento. Talvez não exista uma explicação, um motivo ou quem sabe qualquer dia desses se revele pra mim numa canção, num poema, ou simplesmente num pôr de sol.
Postado por Leitura sem fronteira às 17:41 Nenhum comentário:
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