Depois de tanto tempo e de tanta luta, parece que por algum capricho do destino, meus olhos se abrem e consigo enxergar melhor o que antes parecia apenas uma neblina. Senti tantas vezes nascer em mim a dúvida, como se estivesse naqueles quadrinhos onde surge o ponto de interrogação bem ao lado da cabeça da personagem, um sentimento de temor, inadequação, as vezes até vazio, como se nada me pertencesse, como se toda a minha vida, fosse baseada em enganos. Mas não há enganos, hoje sei, mas que tudo, tenho certeza, de onde estou, de quem sou, escolhi meu caminho, sinto-me finalmente encontrada, sou mãe, sou mulher, sou amiga e sou também professora. Daquelas bem fanáticas, que dá bronca no aluno, que se precisar sobe em cima da mesa, se vira do avesso, mas ensina e ensina como quem ama, porque lecionar exige mais do que talento ou esforço, exige paixão, discernimento, audácia. E aqui estou eu, professora.
Alexandra Alves de Oliveira
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