ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
UMA REFLEXÃO
Alexandra Alves de Oliveira .
Rosa Maria Alves da Silva .
RESUMO
Este trabalho faz uma reflexão a respeito dos significados de alfabetização e letramento, pontuando a necessidade do entendimento de seus significados, assim como as necessidades do ser humano perante a sociedade, num debate de ideias que visa o esclarecimento e o aperfeiçoamento da prática docente no que concerne a aquisição da leitura e da escrita, através da reflexão de autoras como Magda Soares e Emília Ferreiro, entre outras. Reflexão esta que leva ao entendimento de que alfabetização e Letramento devem acontecer ao mesmo tempo.
Palavras chaves: Alfabetização, letramento e prática docente
ABSTRACT
This paper is a reflection about the meanings of literacy and literacy, punctuating the need for understanding their meanings, as well as the needs of human beings in society, in a debate of ideas aimed at clarifying and improving teaching practice regarding the acquisition of reading and writing through reflection of authors such as Magda Soares and Emilia Ferreiro, among others. This reflection that leads to the understanding that literacy and literacy should happen at the same time.
Keywords: Literacy, literacy and teaching practice.
INTRODUÇÃO
Pensar a aquisição da escrita diante das imensas dificuldades que cada aluno encontra em sala de aula, mais que mera curiosidade, é buscar aprimorar o processo de ensino aprendizagem e assim consequentemente o aprimoramento da prática docente.
Até chegar à conclusão deste tema, buscou-se informações sobre estudiosos e suas teorias, sobre o processo de aquisição da linguagem e um fato surpreendente foi ver como tudo que parece tão fragmentado, está intimamente ligado.
Buscar respostas para a alfabetização, é encontrar pelo caminho, processos de aquisição de leitura, de aquisição de linguagem, de escrita e encontrar um diálogo entre autores que buscam entender ou até mais, buscam explicar como se dá esse processo e como é possível amenizar as dificuldades.
É importante salientar que o estudo aqui apresentado não busca soluções mágicas, nem fórmulas fixas, apenas a reflexão e o aperfeiçoamento por meio de pesquisa bibliográfica, delineando assim um caminho mais claro e fácil de percorrer para educador e educando.
São tantas questões a serem levantadas, tantos termos que devem ser desvendados, o universo da escrita e da leitura é cheio mistérios não esclarecidos, de caminhos a percorrer e desbravar.
Estudar a alfabetização é fundamental para compreender porque é tão difícil encontrar um aluno letrado, ou até mesmo ir além, entender a diferença entre alfabetizado e letrado.
Este artigo tem por objetivo trazer à luz os significados de alfabetização e letramento, assim como seu papel na sociedade contemporânea, num debate de ideias que visa o esclarecimento e o aperfeiçoamento da prática docente no que concerne a aquisição da leitura e da escrita.
Desta forma este trabalho foi feito por meio de pesquisa bibliográfica, que segundo SEVERINO (2007) se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, tem como objetivo analisar informações de conhecimento prévio sobre um determinado fato.
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
A Sociedade contemporânea vem descobrindo novos problemas no âmbito da educação, o que antes se caracterizava como preocupação contínua a alfabetização, ou o acesso dos alunos a educação básica, hoje se tornou irrelevante se comparado ao fato de que mesmo aqueles que tiveram acesso a educação básica não fazem uso da leitura e da escrita em seu cotidiano.
As dificuldades encontradas em meio à população em entender textos simples ou mesmo interpretar textos ou notícias são alarmantes, a decodificação de símbolos gráficos não é mais suficiente para considerar um cidadão alfabetizado, assim como explicita Rojo (1998) em Alfabetização e Letramento.
Por essa razão a sociedade se vê diante de novos fenômenos e precisa segundo Soares (2003) encontrar um novo termo para nomeá-los e assim estuda-los mais profundamente. Desta vez o verbete escolhido foi LETRAMENTO, palavra de origem inglêsa Literacy. Também na Inglaterra, a sociedade se viu diante de cidadãos que saiam da escola sem saber como utilizar a língua escrita em seu dia a dia, mas, lá, ao contrário do Brasil Literacy significa letrado no sentido de ter conhecimento das letras.
Literacy é o estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e escrever. Implícita nesse conceito está a ideia de que a escrita traz consequências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas, linguísticas, quer para o grupo social em que seja introduzida, quer para o indivíduo que aprenda a usá-la. Em outras palavras: do ponto de vista individual, o aprender a ler e escrever – alfabetizar-se, deixar de ser analfabeto. (SOARES, 2003.p.15).
No Barsil, Literacy virou Letramento, visto que para analfabeto não existe antônimo, Alfabeto, no entanto seu significado é se comparado ao termo original fragmentado, pois se refere ao uso social da língua escrita.
Soares, (2003) afirma que Letramento não é uma palavra de todo desconhecida dos dicionários brasileiros; no Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa de Caldas Aulete é denominado termo ou palavra antiga que significa escrita ou ainda verbete que remete ao termo Letrar, investigar, soletrar. Porém esta é uma edição bem antiga, editada a mais de um século, na versão atual o Aurélio já encontramos o Termo assim definido:
Letramento. Ato ou efeito de letrar-se, Estado ou condição de indivíduo ou grupo capaz e utilizar-se da leitura e da escrita, ou de exerce-la como instrumento de sua realização e de seu desenvolvimento social ou cultural. (AURÉLIO, 2007).
Diante do exposto surge um novo problema crucial: a utilização do termo Letramento, visto que diante de uma sociedade que vive encontrando teorias e palavras que se tornam modismos para designar paradigmas e concepções acerca da educação, precisamos analisar até que ponto Letramento é válido para contribuir na evolução da educação brasileira, até que ponto essa palavra realmente está sendo usada devidamente, ou pelo menos com um sentido claro para todos os educadores.
Para falar de alfabetização e Letramento é preciso, como educadores buscar o primeiro instante em que foi usado e com que significado foi utilizado desde então.
Segundo Soares (2003) Letramento foi usado pela primeira vez na sociedade contemporânea por Mary Kato, nos anos 80, em sua obra No mundo da escrita, uma perspectiva psicolinguística, Kato assim inaugura o uso do termo com o significado de prática social da leitura e da escrita.
De lá para cá muito se tem falado, muito se tem discutido sobre a diferença entre letrado e alfabetizado. Para grandes estudiosas, como Rojo (1998) a diferença está no que concerne à decodificação de símbolos. Alfabetizados são todos aqueles capazes de juntar as letras e formar palavras ou até mesmo frases inteiras e letrados são todos aqueles que conseguem escrever, ler e se comunicar por meio deste mecanismo, permitindo-se assim que o universo da palavra escrita faça parte do seu dia a dia.
Muito polêmica tem sido essa afirmação, visto que há um excessivo alargamento da fronteira do significado de letramento, hoje pode-se encontrar o termo letramento digital ou letramento escolar, assim como tantos outros letramentos, que as vezes fogem totalmente do sentido original, que tem como referência a palavra escrita. RIZZATI (2012).
Nesse contexto é possível acreditar que para o educador o que deve ser relevante é saber separar letrado de alfabetizado, visto que é totalmente possível segundo Ferreiro (2001) fazer parte de um grupo ou de outro, ser letrado sem ser alfabetizado ou vice e versa.
Para o ingresso no universo das letras ou das palavras não é preciso ir a escola, o contato direto com livros, revistas, jornais ou até mesmo as estórias lidas para dormir podem tornar uma criança letrada, pois ao contrário do que se acreditava, descobriu-se que as crianças criam hipóteses a respeito da leitura e da escrita, até porque a escrita está por todo lugar, faz parte do seu meio e do seu dia a dia, está nas embalagens de alimentos, de brinquedos e na TV, está na rua em propagandas, anúncios, na fachada dos prédios, enfim por toda parte. FERREIRO (2001).
Ainda assim o termo letramento tem sido controverso e sua definição complexa, como pode-se observar em “Letramento em Ensaio” de Soares (2003), que afirma ter o Letramento complexidades e sutilezas difíceis de serem contempladas em uma única definição, já que o termo pode ser visto por várias dimensões.
Dimensões essas que norteiam a aquisição da linguagem e da escrita, pelo indivíduo e pela sociedade e as consequências sociais dessa aquisição.
Para estudar e interpretar o letramento[...], três tarefas são necessárias. Primeira é formular uma definição consistente que permita estabelecer comparações ao longo do tempo e através do espaço. Níveis básicos ou primários de leitura e escrita constituem os únicos indicadores ou sinais flexíveis e razoáveis para responder a esse critério essencial [...], o letramento é acima de tudo, uma tecnologia ou conjunto de técnicas usadas para a comunicação e para a decodificação e reprodução de materiais escritos ou impressos, não pode ser considerado nem mais nem menos que isso (GRAFF,1984ª, p.18-19, apud SOARES, 2003).
SCRIBNER (1984) para definir letramento põe em cena o enfoque social da comunicação, a importância de pensar o letramento como fenômeno social e situar seu significado de acordo com a realidade histórico social.
As tentativas de definição de letramento estão quase sempre baseadas em uma concepção de letramento como um atributo aos indivíduos, buscam descrever os constituintes do letramento em termos de habilidades individuais. Mas o fato mais evidente a respeito do letramento é que ele é um fenômeno social [...] o letramento é um produto da transmissão cultural[...]uma definição de letramento[...] implica a avaliação do que conta como letramento na época moderna em determinado contexto social... Compreender o que é o letramento envolve inevitavelmente uma análise social... (SCRIBNER,1984, P.7-8, apud, SOARES, 2003).
Adentrar esse universo da escrita e elaborar hipóteses sobre ele é o caminho para o letramento, não aprender a fazer cópias e decorar alfabetos, isso se resume a técnica de decodificação, como aprender a ler símbolos sem saber exatamente para que servem.
Assim, falar dessa nova tecnologia que surgiu a partir da necessidade de nomear um novo fenômeno no âmbito da educação, exige mais que especulação, exige refletir a sociedade e seu momento histórico, exige repensar velhas posturas e termos ultrapassados.
Desta forma pensar o letramento como o entendimento dos códigos linguísticos e a alfabetização apenas como decodificação é um retrocesso, letramento é acima de tudo o uso que cada sociedade exige que seus indivíduos possam fazer da leitura e da escrita, para que possam gozar de toda a transformação e consequência de seu uso no dia a dia, por exemplo, em nossa sociedade contemporânea o letramento é fundamental para que o indivíduo possa até se locomover de um ponto a outro da cidade, visto que precisa ler os ônibus e placas para encontrar a direção certa. FERREIRO (2001).
Numa sociedade medieval andava-se a cavalo ou carro de boi, ler e escrever era então menos necessário para a vida em sociedade e a leitura e a escrita era um luxo para os ricos e o clérigo.
Letramento para a sociedade contemporânea segundo Soares (2003), vai além da questão do entendimento, é uma questão de autonomia, consciência e poder, quanto mais letrado, ou seja, quanto mais domínio tem o indivíduo sobre os usos sociais da leitura e da escrita mais poder ele tem sobre sua própria vida e sobre a sociedade.
O Letramento na sociedade contemporânea é instrumento de dominação, através dos meios de comunicação a classe mais privilegiada financeiramente impõe seu ponto de vista e seu modo de vida. O pouco domínio sobre o letramento por parte da classe trabalhadora não permite a reflexão e questionamento da informação que chega ás suas casas todos os dias.
No âmbito da educação, o letramento tem sido desfigurado para a criação do que alguns críticos, segundo Soares (2003) chamam de letramento escolar, pois os alunos são estimulados as práticas de leitura e escritas típicas somente de escolas e desta forma não são preparados para o uso desse letramento para responder as necessidades sociais que se espera dele, como a escrita de relatórios no trabalho, a leitura de memorandos, ou até coisas mais simples como o questionamento de uma notícia de caráter duvidoso.
Assim começam os desdobramentos do significado de letramento para esta sociedade multifacetada, que vem ao longo do tempo e do espaço buscando diferenciar letramento de alfabetização, quando na verdade o foco deveria ser a construção simultânea desses dois elementos, a construção dos códigos linguísticos e o uso social desses mesmos códigos, uma sociedade letrada é uma sociedade livre e consciente de seus atos e de sua realidade.
A sociedade contemporânea tem feito falsas inferências a respeito do letramento. Não é propósito deste trabalho discutir as várias concepções que, ao longa da história da educação no Brasil, vêm sendo criadas para tentar erradicar o fracasso no sistema de ensino aprendizagem, mas acredito ser importante salientar que tem-se uma tendência ao radicalismo quando se trata de educação.
Pode-se exemplificar com a e a crença de que o que falhava na educação era o método usado para ensinar. Com o construtivismo inferiu-se que do ponto de vista psicogenético, não seria possível ensinar através de métodos, a criança construiria seu conhecimento livremente, e mais uma vez a sociedade falhou. Novamente caminha-se para o erro quando desvincula-se alfabetização de letramento, assim como afirma Soares: “...para a prática da alfabetização, tinha-se um método, e nenhuma teoria, com a mudança de concepção sobre o processo de ensino aprendizagem da língua escrita, passou-se a ter uma teoria e nenhum método.”
Quando Ferreiro (2001) afirma que vive-se um retrocesso e Soares alerta a respeito do radicalismo no âmbito da educação infere-se então que não é o caminho separar alfabetização de letramento, visto que a sociedade tem segundo Soares (2003), esquecido as especificidades da alfabetização e centrado todo o problema no letramento.
Alfabetização e Letramento são parte de um todo, parte da aquisição do sistema linguístico que conduz seu utente a comunicação com a sociedade na qual está inserido e com a satisfação das necessidades e obrigações que o mesmo possui com o meio em que está inserido.
Enquanto alfabetização tem seu foco na aquisição dos sistemas gráfico-fônico, o letramento foca no uso que se fará dessa aquisição, assim como afirma Soares em a reinvenção da alfabetização, um não deve ser pensado separadamente do outro.
Dissociar alfabetização e letramento é um equívoco porque, no quadro das atuais concepções psicológicas, linguísticas e psicolinguísticas de leitura e escrita, a entrada da criança (e também do adulto analfabeto) no mundo da escrita ocorre simultaneamente por esses dois processos/; pela aquisição do sistema convencional de escrita a alfabetização – e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita o letramento. Não são processos independentes, mas interdependentes e indissociáveis/; a alfabetização desenvolve-se no contexto de e por meio de práticas de leitura e escrita, isto é, através de atividades de letramento, e esse, por sua vez, só se pode desenvolver no contexto da e por meio da aprendizagem de relações fonema-grafema, isto é, em dependência da alfabetização. (Soares, 2004).
Assim alfabetização depende de letramento e letramento depende de alfabetização e como afirma Ferreiro (2001) não deveria haver distinção entre os dois termos um deveria compreender o outro, e os dois deveriam fazer parte do currículo escolar, como uma coisa só.
Letramento e práticas docentes
Partindo desse princípio acredito que as práticas pedagógicas precisem ser repensadas para que contemplem também o letramento, não só nas séries iniciais, assim como em todo o contexto escolar, isso significa trazer sentido para a aprendizagem da leitura e da escrita, alfabetizar e letrar ao mesmo tempo é possível, mas exige uma nova concepção do educador, um olhar o mundo da leitura e da escrita através da ótica da criança, como afirma (ABRAMOVICH 1995. p.163).
Há tantos jeitos de a criança ler, de conviver com a literatura de modo próximo, sem achar que é algo do outro mundo, remoto, enfadonho ou chato... É uma questão de aproximá-la dos livros de modo aberto – seja na livraria ou na biblioteca... se a criança é a única culpada nos tribunais adultos por não ler, pede-se o veredicto inocente... mais culpados são os adultos que não lhe proporcionam esse contato, que não lhe abrem essas – e outras tantas – trilhas para toda a maravilha que é a caminhada pelo mundo mágico e encantado das letras [...].(ABRAMOVICH 1995, p. 163. apude RAIZER 2012).
O foco do ensino aprendizagem precisa ser diferenciado do que temos visto até aqui, o ensino da leitura e da escrita precisa privilegiar o uso da língua, para que faça sentido para a criança e/ou aluno o aprender a ler e escrever, ensinar letras soltas não promove letramento, mas ensinar essas mesmas letras em situação de uso da língua sim. Esse é o sentido de construir conhecimento, construir a significação de cada caractere e de cada palavra em situações de uso que façam sentido para a vida e para o meio de quem aprende, assim como afirma BRITO (2005. p.16)
O grande desafio da Educação Infantil está exatamente em, em vez
de se preocupar em ensinar as letras, numa perspectiva redutora da
alfabetização (ou de letramento), construir as bases para que as
crianças possam participar criticamente da cultura escrita, conviver
com essa organização do discurso escrito e experimentar de
diferentes formas os modos de pensar o escrito (BRITO, 2005, p.
16. apud RAIZER 2012).
Para tanto o modo como se apresenta esse escrito precisa ser diferente, criativo e muitas vezes simples, sem mistérios ou idealizações, apenas como a língua se dá em contexto de uso, assim como afirma ANDRADE (2001).
São inúmeras as estratégias das quais o professor pode lançar mão para enriquecer as atividades de leitura, como comentar previamente o assunto do qual trata o texto; fazer com que as crianças levantem hipóteses sobre o tema a partir do título; oferecer informações que situem a leitura; criar um certo suspense, quando for o caso; lembrar de outros textos conhecidos a partir do texto lido; favorecer a conversa entre as crianças para que possam compartilhar o efeito que a leitura produziu, trocar opiniões e comentários etc. (BRASIL, 1998, v. 3, p. 142. Apud ANDRADE 2001).
As práticas docentes devem ser diversas e dinâmicas e por vezes apesar de simples inovadoras, indo de encontro a propagação e realização do Letramento, para que subsista também em sala de aula e não só fora dela através de historinhas para dormir, anúncios publicitários ou encontros casuais com a palavra escrita, é preciso propositar, preparar esse encontro e esse ambiente de ensino aprendizagem assim como exemplifica RAIZER (2012).
Por exemplo: a professora pode criar uma caixa de leitura com diversas obras, não precisa instituir o famoso “dia da leitura”, ao contrário, todo dia é dia de leitura. A criança pode manipular a caixa sempre que sentir vontade, e ainda levar para casa quando desejar. A professora organiza uma lista de empréstimo de livros, cada criança pode confeccionar sua carteirinha e anotar a data e livro que está emprestando. Assim, começa a fazer sentido essa história de escrever; escrevemos porque precisamos nos organizar; escrevemos porque precisamos saber com quem está determinado livro; escrevemos porque queremos documentar nossas leituras. Enfim, escrevemos porque existe um motivo que compreendemos e não porque a professora mandou. (RAIZER 2012).
Considerações Finais
Pensar a aquisição da escrita enquanto linguagem é requisito primordial para entender o processo de ensino aprendizagem, a palavra escrita não pode ser desvinculada da oral, todo o processo baseia-se em comunicação, em como se dá essa comunicação.
Refletir sobre a forma como o ser humano adquiri essa comunicação escrita e os meios pelos quais o faz, assim como as práticas que a sociedade contemporânea exige se seu utente, leva a reflexão da prática docente, leva a refletir os métodos, as teorias e os fracassos subjacentes as tentativas inúteis de transmitir aquilo que precisa ser construído, passo a passo.
Passamos do momento dos radicalismos, precisamos encontrar agora uma prática docente que contemple todas as necessidades do nosso educando, as necessidades que a sociedade impõe para o sucesso ou fracasso de seu participante.
Como docente vejo mais claramente do que nunca, que a reflexão precisa ser comedida, precisa ser centrada na aquisição da comunicação escrita e verbal, juntas, indissociáveis, há que se pensar menos em fórmulas mágicas e acreditar na simplicidade de trazer o livro e o mundo da escrita para o universo do aluno, para o seu dia a dia.
Então acredito que sim, é possível alfabetizar e Letrar, e sim são dois processos que devem caminhar juntos, que devem ser únicos em sala de aula, e essa junção é possível quando se entende que a comunicação não é feita de letras ou palavras soltas ao vento, mas de situações reais ou contextualizadas com a realidade e com a vivência de cada um.
Letramento não é só a palavra do momento, é a palavra necessária, que precisa ser entendida e utilizada como último recurso para a solução do fracasso escolar.
Bibliografia.
ANDRADE, Beatriz Gracioli. Impactos de práticas pedagógicas centradas no letramento em crianças pré escolares. Campinas. UNICAMP. 2011.
FERREIRO, Emília. Reflexões sobre alfabetização. 24.ed. São Paulo. Cortez. 2001.
FERRIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio. 6.ed. São Paulo. Abril. 2004.
JACOB, L. Mey. As vozes da sociedade: letramento, consciência e poder. 1998. 10 f. Artigo (Conferência apresentada em inglês, no congresso Internacional de Atenas, maio de 1997).
RAIZER, Cassiana Magalhães. ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTOAlfabetização e Letramento: NOVAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS. Novas práticas pedagógicas. Disponível em: http://www.uel.br/eventos/semanadaeducacao/pages/arquivos/anais/2012/anais/ensinofundamental/alfabetizacaoeletramento.pdf. Acesso em: 01/out/2013.
RIZZATTI, Mary Elizabeth Cerutti. Letramento: uma discussão sobre implicações de fronteiras conceituais. Educação e Sociedade. Campinas. v.33. Jan./Mar. 2012
ROJO, Roxane. Alfabetização e letramento. Perspectivas Linguísticas. Campinas: Mercado das Letras. 1998.
SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, abril de 2004.
__________ Letramento: Um tema em três gêneros. 2.ed. Belo Horizonte: Autêntica. 2003.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 23 ed. São Paulo: Cortez, 2007.
Nenhum comentário:
Postar um comentário