Ela fechou os olhos esperando que os sonhos chegassem e pudesse mais uma vez ver as borboletas azuis pela janela.
Em um segundo viu seus amigos, uma festa linda, todos sorrindo, seu vstido vermelho, a música que cantava, a pessoa que sempre foi, mas só seu coração sabia.
Passou a vida inteira sem entender porque era uma por dentro e outra por fora, Margô, sempre tão gentil e amável, sempre tão forte, pensando sempre ser amada, pra um segundo depois se ver sozinha, aos prantos, porque não podiam querê-la como ela era por dentro.
A mascara que cobria seu coração a sufocava, porque tinha que ser perfeita, só queria a liberdade.
Aos 19 anos, casada, pensava ter escolhido a vida perfeita, o homem perfeito, mas mesmo assim tudo lhe fadigava, seu corpo pedia vida, pedia fogo, liberdade, alegria.
Olhava o mundo entediada e sorria sem nem saber porque, apenas porque todos diziam que belo sorriso tinha.
Passeava pelo mundo, linda e delicada como lírio e sorria, como se seu sorriso pudesse apaziguar sua alma atormentada.
As vezes sonhava que tinham aprizionado sua alma dentro de uam caixa, que ficava guardada num castelo, do outro lado do mundo.
E então como uma fada de asas cintilantes, toda vestida de azul, como as linadas borboletas da primavera, ela viajava além do infinito pra recuperar sua alma perdida.
As vezes pensava não ter coração, pois se sentia tão gelada como o inverno no sul e tão vazia, como se todo seu mundo fosse oco.
Preechia seu tempo e sua vida com ideologias baratas, compradas na banca de jornal.
Assistia novelas e não chorava com os finais felizes.
Quando seu coração queria explodir, inventava um sonho, uma nova vida e algumas horas num outro lugar lhe faziam milagres, ela voltava a sorrir e vivia mais um dia.
Se perguntou tantas vezes porque Deus criou o homem, por que a criou, não fazia sentido, uma pessoa tão insignificante, era bonita, mas de uma beleza vulgar e comum, aos seus olhos era apenas mais um rosto sem alma.
Certa vez lembrando da infância, pensou ter achado a resposta pra sua eterna desconfiança, não podia confiar em ninguém, nem em si mesma.
A menina bochechuda, de olhos apertados e cabelos longos, sorria como só os inocentes podem sorrir, mas ao atravessar os portões da vida nunca mais voltou.
Toda a sua vida fora julgada por dizer a verdade, nunca suportou ser odiada, tudo o que queria era ser amada, que a enxergassem como a pessoa eapacial que ela mesma não podia ver.
Seu primeiro amor, tão doce e puro que fora esmagado pela sua franqueza e pela sua timidez.
Mas esta não era Margô , era só uma mascara.
Margô, era uma mulher ousada e delicada, que envolvia e intrigava, misteriosa, fascinante.
Em noites de lua vestia sua ligas pretas, soltava os cabelos e enloquecia o seu amado.
E tudo isso turvado de poesia, nublado de canção.
Ao som das baladas que amava, tirava a roupa, linda e sensual, como a mulher mais poderosa , como Afrodite, a Deusa, tão perfeita, tão ardente.
Quando acoradva pela manhã, não mais sonhava com Margô, queria ser um anjo, ou quem sabe a fada de asas cintilantes.
Queria a pureza, a doçura, a magia.
Foi quando "ele" apareceu, dizendo coisas vãs e lindas, despertando em Margô vida e luz.
Sentia seu pulso acelerar, seu sange ferver e o mundo girava quando ele a olhava nos olhos e dizia com tanta verdade, o quanto ela era especial, o quanto seria bom fazer amor com ela.
Eles falavam de poetas e poesia e com ele, ela sorria com o olhar, fazia manha, era misteriosa e voluntariosa, mas jamais pode tocá-lo.
A noite tinha sonhos eróticos e fantasias, mas pela manhã não podia tocá-lo, como se a magia se quebrasse, o encanto se perdesse.
E então o espelho se partiu, enquanto se ausentava do mundo, as brigas ao voltar eram cada vez mais frequentes, seu marido a acusava de abandono, ameaçava matá-la se ela quisesse partir e jurava que morreria se ela fosse.
Ele se desdobrava em juras de amor e promessas de felecidade e lhe cobrava uma prova de amor.
Mas ela não podia, como poderia magoar alguém, ainda que fosse por sua felicidade, não poderia, não de propósito.
Chegou dias em que não podia mais se levantar,tamanha era a trsteza de seu coração.
Com poderia viver sabendo o mal que fizera, ao marido ou a ele.
Entendeu que não tinha mesmo uma alma e que jamais seria Margô, a Margô que seu coração guardava.
O marido achava que estava louca vagando pela casa e falando sozinha, sempre de preto, como se estivesse de luto.
Dizia coisas imcompreensíveis, falava do quanto o ser humano está enganado, acreditando em sonhos perfeitos, em contos de fadas.
O amor começa e termina de dentro para fora, e não importa o quanto o mundo o julgue feio e vulgar, ele sempre será amor.
Porém fomos criados como covardes, presos or nossa própria fraqueza e por nosso próprio tédio.
Não somos capazes de sermos verdadeiros conosco ou com qualquer outra pessoa, pois somo feitos de mascaras e ilusões.
Margô definhava a olhos vistos, perdida em delírios não podia mais sorrir, não sentia mais fome de vida.
Apenas falava coisas incompreensíveis, lamentando sua covardia.
Fora sempre a mulher esperada por todos, correta, doce e gentil, resposável, mas agora sabia que durante toda sua vida fora como um vidro, belo e transparente, quase invisível, nunca despertava em ninguém um sentimento verdadeiro e gratuito, apenas fora o que esperavam que fosse.
Naquela manhã quando abriu os olhos haviam tantas borboletas azuis passando ao seu redor que por um instante seu coração se encheu de alegria e então ela soube que não havia mais nada para ela nesta vida, nem amor, nem paz.
Tudo que queria agora era dormir e sonhar com as borboletas que a acompanhavam e traziam luz ao seu coração tão escuro.
Ela olhou para sua mesinha de cabeceira, precisava dormir e esquecer tudo, os calmantes ali tão perto, tão convidativos.
Ela ligou o som e ficou ouvindo sua canção de amor predileta, uma cançaõ que falava de um amor impossível, de uam vida tão diferente da sua...
Vestiu sua camisola branca, ela se sentiu como uma fada, numa longa camisola branca com decote e renda, os olhos fundos destoavam do corpo esguio, mas ainda sim estava bela como uma fada.
Sentou-se em sua cama tomou todos os remádios que pode então deitou-se confortavelmente e fechou os olhos esperando por suas companheiras que logo viriam buscá-la para seu reino.
Derepente um mal estar e uma dor aguda a assaltou, foi só um minuto e então elas chegaram, suas lindas borboletas azuis, elas a beijavam muito felizes de a terem para si.
Margô então sorriu pela última vez e disse:
-Adeus MArgô;
Seus olhos se fecharam e a escuridao tomou conta de seu corpo e finalmente ela encontrou a paz que nunca tivera.
E o mundo sem Margô continuou a girar, seu marido casou-se novamente no ano segunte.
Seu amado mudou-se, arrumou uma nova namorada, uma escritora que amava música e poesia, mas que ao contrário de MArgô não conhecia as borboletas azuis.
O universo continuou seu curso e Margô finalmente encontrou sua alma e apaziguou seu coração.
Por: Alexandra Alves de Oliveira.