sexta-feira, 17 de abril de 2015

Tessituras

A tristeza é algo curioso, ela pode chegar de repente e te fazer sentir nuvem, uma nuvem pesada, que caminha lentamente quase se arrastando pelo dia, com uma sombra nos olhos e no coração.
Ou ela pode vir devagarzinho, como quem não quer nada, vai te fazendo enxergar as durezas da vida, mais do que as alegrias, te faz perceber todas as coisas das quais abriu mão, em nome de algo que não está a seu alcance mudar. Mesmo que essas coisas te firam, mesmo que estejam na contra da mão de tudo o que você acredita. Ela te faz enxergar o pior de tudo.
Mata seu idealismo, suas convicções, te faz duvidar das pessoas e das intenções, mas acima de tudo te faz sozinho.
Uma pessoa triste dificilmente estará rodeada de amigos, dificilmente quererá estar rodeada de amigos.
A introspecção, a clausura e o medo serão seus companheiros de viagem.
Parece dramático, não é mesmo?
Mas quem nunca sentiu dentro de si o drama de uma tristeza aguda que corrói e transforma tudo em sombras?
Mesmo que por um dia, mesmo que por algumas horas.
A tristeza meu amigo é a reflexão forçada, é o dia nublado em seus olhos, é o coração sangrando por algo ou por alguém.
Não importa qual tristeza te atinja agora, no instante em que Lê isto, ela será sempre a mesma, mais ou menos intensa.
E todos passarão por ela um dia, porque é assim que aprendemos a volorizar o que amamos, o que nos faz feliz.
Hoje me sinto triste, por tantas coisas, mas especialmente porque sinto que não encontrei meu lugar no mundo,porque tenho andado as cegas.
Sinto que não sou eu mesma, que tudo que tenho feito são repetições de valores, de vozes de outras pessoas.
Hoje me pergunto mais do qualquer outro momento da minha vida, onde está o meu eu. Onde foi que o perdi.
Olho pro horizonte e mesmo ao longe, não consigo mais avistá-lo.
Queria só hoje, ter um motivo pra acreditar.
Acreditar que tudo pode ser diferente.

Alexandra Alves de Oliveira

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